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Dependência Química

Impacto da Dependência Química nas Famílias


Primeiramente a professora mostrou o levantamento Nacional sobre o uso de álcool e drogas que foi realizado pelo INPAD/UNIAD da Universidade Federal de São Paulo e dirigido pelo Dr. Ronaldo Laranjeira. Nele foram entrevistados 4607 indivíduos de 14 anos ou mais entre novembro de 2011 e 2012. O objetivo foi entender as tendências do uso de álcool e tabaco no Brasil entre 2006 e 2012, estudando também o uso de outras substâncias ilícitas. Além de ser pesquisada a relação dos usuários e familiares. O estudo foi dividido entre uso de maconha, álcool e cocaína no Brasil.
Em relação o uso da maconha, estima-se que 7% dos adultos já usaram a droga, sendo que 62% experimentaram antes dos 18 anos e o grande pico de idade de experimentação foi entre 15 a 20 anos. Ela mostrou que quanto mais precoce é a experimentação, maior o risco de dependência e desenvolvimento de outras morbidades psiquiátricas. No caso da maconha, destaca-se a esquizofrenia, nas pessoas com pré- disposição para tal.
Daqueles 7% que experimentaram a droga, metade utilizou no último ano e desses, 37% são dependentes, totalizando 1,3 milhões de pessoas. Quando discutida a legalização da maconha, foi constatado que 75% dos brasileiros é contra tal medida.
No estudo sobre o álcool a professora mostrou que mulheres jovens são a população de maior risco para dependência atualmente. As mulheres apresentaram maior aumento do consumo entre 2006 e 2012 e esse consumo foi mais nocivo quando comparado aos homens. Outra constatação importante foi que o comportamento de beber e dirigir teve grande diminuição, sendo a mesma coincidente com a nova lei de alcoolemia zero, o que mostrou que leis restritivas do uso de substâncias podem levar a mudança de comportamento na população.
O Brasil representa o segundo maior mercado de cocaína e o primeiro mercado de crack do mundo, responsável por 20% do consumo mundial da droga. No Brasil, 4% da população relata já ter usado cocaína, sendo que metade experimentou antes dos 18 anos. A precocidade na exposição e o efeito fugaz da droga aumenta muito o risco de dependência química.
No Brasil estima-se que hoje 28 milhões de pessoas convivem com um dependente químico. As famílias descrevem regularmente situações de violência doméstica, abuso infantil, subtração de bens da família, ausência prolongada do núcleo familiar, além do usuário colocar sua segurança e a de terceiros em risco com a condução de veículos em estado de embriaguez.
Para essa parte do estudo foram entrevistadas presencialmente 3142 famílias de pacientes em tratamento ambulatorial ou internados, em 23 capitais. Dessa amostra, 80% eram mulheres, a maioria de idade maior que 45 anos. Aproximadamente 46% dos familiares entrevistados eram mães dos usuários de droga, e mais da metade delas eram chefes de família. Esse perfil apresentado demonstra os diversos níveis de impacto social, financeiro, educacional e emocional que a dependência química traz para o núcleo familiar.
Do ponto de vista familiar as causas para a dependência química foram atribuídas em 47% as más companhias, em 26% a baixa autoestima, 22% a ausência do pai e 10% atribuída a fator constitucional

Caracterização da população de usuários:
Os usuários eram em 96% homens, com idade média de 31,8 anos, com grau de instrução mostrando dois picos, o primeiro com ensino fundamental incompleto e o segundo com ensino médio incompleto, sendo 73% poli usuários de drogas. As drogas mais usadas foram na ordem decrescente, maconha, álcool, crack e cocaína.
A mudança de comportamento do usuário foi o fator que mais levou o familiar a descobrir o uso de drogas. O tempo médio para busca de ajuda desde a descoberta foi de três anos. O tipo de ajuda procurada foi na maioria a internação, porém foi relatado número importante de procuras pelo AA/NA/Amor Exigente e religião/igreja.
Os adictos haviam sido internados em média 2,7 vezes, sendo a maioria em comunidades terapêuticas. A família é quem arca com as despesas na imensa maioria das vezes, sendo que isso gerou alterações drásticas no orçamento doméstico para pelo menos metade dos entrevistados. Quando perguntados sobre os CAPS-AD, 50% relatam que nunca foram e 50% que não conheciam o serviço. Dos que foram ao CAPS-AD, 44% relatam que ou o usuário ou o familiar não gostaram do serviço, porém 24% acharam rápido e eficiente.
Além do impacto financeiro as famílias relatam que o adicto teve sua capacidade de trabalhar ou estudar comprometidas, que ele atrapalha a vida social do familiar, que estão pessimistas em relação a um futuro próximo e já foram roubados ou ameaçados.

Resumo da aula: Natalia Bertoni, Adrienne Lucarelli, Lilian Paiva Hsu

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