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Hiperprolactinemia


A prolactina é um hormônio membro da família somatotrofina e está estruturalmente relacionada com o GH e o lactogênio placentário. É sintetizada pelos lactótrofos da adenohipófise, atingindo seus níveis mais altos na gestação, mais especificamente no período do termo, mantendo seu nível pela sucção ou manipulação das mamas.

A prolactina tem como seu principal regulador a dopamina, por regulação inibitória, e o TRH e o peptídeo intestinal vasoativo como fatores liberadores. Entre suas funções incluimos: desenvolvimento mamário, indução do crescimento das mamas e diferenciação da glândula mamária.

Hiperprolactinemia é a alteração endócrina mais comum do eixo hipotalâmico-hipofisário, acomete cerca de 0,4% da população geral, variando de 9 a 17% em mulheres com distúrbios reprodutivos e 70% das mulheres apresentam amenorréia e galactorréia associadas, tendo seu pico de prevalência em mulheres de 25 a 34 anos. Raramente apresenta-se na infância ou adolescência.

O quadro clínico desta patologia é caracterizado pela presença de galactorréia, sendo espontânea, intermitente ou a expressão mamilar e se presente em homens, torna-se um sinal patognomômico. Cursa também com hipogonadismo, quando há inibição da secreção pulsátil de LH e FSH, agindo diretamente sobre as gônadas desencadeando até a diminuição da densidade mineral óssea. Além de hirsutismo e acne, visto que há diminuição de SHBG levando ao aumento de testosterona livre e aumento de DHEAS adrenal, somados ao quadro de obesidade, pan-hipopituitarismo e até a alterações neuroftalmológicas. A etiologia da hiperprolactinemia é diversa, inclui fatores fisiológicos, farmacológicos e patológicos. Entre as pincipais causas fisiológicas inclui-se: gestação, amamentação, estresse, exercícios físicos em demasia, coito, manipulação da mama e o sono. Dentre os fármacos, podemos citaros antipsicóticos (bloqueadores dos receptores de dopamina), antidepressivos, opiáceos, cocaína e bloqueadores dos canais de cálcio. Por fim, as causas patológicas são: tumores hipofisários e hipotalâmicos, hipotireoidismo, síndrome dos ovários policísticos, insuficiência renal crônica e cirrose hepática. Em relação aos fatores neurogênicos, destacam-se tumores extra hipofisários secretores de prolactina e crises convulsivas.

A avaliação laboratorial é realizada pela dosagem sérica de prolactina. Porém deve-se evitar o estresse na coleta, fazer repouso prévio, evitar estímulos dos mamilos, não se basear em apenas um exame. Caso seja confirmada a hiperprolactinemia, deve-se investigar a etiologia e descartar gestação, uso irrestrito e contínuo de fármacos, entre outros. Níveis superiores a 250 ng/ml sãosugestivos de macroprolactinoma e inferiores a 150 ng/ml sugerem compressão da haste.

A macroprolactinoma é o dímero da forma circulante da prolactina, 89% dos casos de hiperprolactinemia são mulheres, sendo que destas pacientes, apenas 15 a 45% desenvolvem desta patologia. Portanto, o ideal é a dosagem mensal de macroprolactinoma em todos os pacientes com hiperprolactinemia. E o monômero da prolactina caracteriza as formais normais e os prolactinomas.

Conclui-se que a prolactina é um hormônio que apresenta heterogeneidade quanto ao peso molecular e que o reconhecimento das diferentes formas circulantes é método-dependente e clinicamente relevante pois apenas a forma monomérica apresenta atividade biológica. Esta distinção tem alto custo-benefício para o paciente, o médico e o sistema de saúde.


Aula escrita: Christiane Sasaoka e Adrienne Pratti Lucarelli

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