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Neoplasia Ginecológica

O que o ginecologista geral deve saber sobre Neoplasia Ginecológica?


O câncer é um problema de saúde publica e com o envelhecimento da população, há aumento do número de casos oncológicos, sendo que a incidência de câncer no mundo cresceu 20% na ultima década. A chance de uma pessoa desenvolver qualquer tipo de câncer, vivendo até os 80 anos é de 33% e em 2014 é esperado 576 mil novos casos no Brasil. A maioria dos casos está na região sudeste, sendo 52% em mulheres.
Na mulher os tipos mais frequentes de câncer, excluindo câncer de pele não melanoma, são mama (com estimativa de 57 mil novos casos), cólon e reto e colo uterino.

Gráfico de Estimativa de Mulher com Câncer O Câncer de mama é considerado o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres em todo o mundo. As taxas de incidência variam de 19,3 por 100.000 mulheres na África Oriental para 89,9/100000 na Europa Ocidental, sendo elevadas (>80/100.000) na maioria das regiões desenvolvidas e baixas (<40/100.000) na maior parte das regiões em desenvolvimento. Embora os países desenvolvidos apresentem as maiores taxas de incidência, tem-se observado tendência de aumento nos países de renda média e baixa, fato atribuído ao envelhecimento da população, a urbanização, a mudanças no estilo de vida e a práticas de diagnóstico.

No Brasil, o câncer de mama representa a principal causa de mortalidade por câncer nas mulheres. O Brasil vem apresentando tendência de estabilização de 0,4% na mortalidade por câncer de mama feminino a partir de 1994, no entanto, quando analisada a mortalidade nas Unidades da Federação e regiões, as taxas apresentaram-se de modo desigual, com tendência a queda e estabilidade nas áreas com maior nível socioeconômico e elevadas tendências de aumento entre as áreas com menor nível socioeconômico.
Novos estudos questionam a necessidade de mamografia para o rastreio do câncer de mama, já que o numero de mulheres que morrem com a doença e realizaram mamografia é semelhante ao numero de mulheres que não realizaram o exame. Segundo demonstrou o estudo Canadense publicado em 2014 e realizado com acompanhamento de 90.000 mulheres.
Quanto ao câncer do colo de útero, ao contrário do que ocorre nos países mais desenvolvidos, as taxas de mortalidade por câncer do colo do útero continuam moderadamente altas no Brasil e, do ponto de vista temporal, vem aumentando: em 1979, a taxa era de 3,44/100.000, enquanto em 2000 era de 4,59/100.000, correspondendo a uma variação percentual relativa de +33,1%.
O câncer do endométrio ocupa, nos países desenvolvidos, o 1º lugar entre as diversas localizações do aparelho genital feminino. No Brasil ele está situado em 4º lugar entre os tumores ginecológicos. Há um aumento gradativo do número de pacientes portadoras de câncer do endométrio nos últimos anos, devido ao aumento da expectativa de vida, visto que o câncer do endométrio é um câncer da mulher idosa e também devido ao aumento significativo do uso prolongado e indiscriminado dos hormônios estrogênicos para o tratamento do climatério e da menopausa.
Existe um grupo de mulheres onde a incidência de câncer do endométrio é bem maior, e essas mulheres são consideradas pacientes de alto risco. São considerados fatores de risco: a idade, a alimentação porque é mais comum em mulheres com maior ingestão de gordura. Outros fatores de risco são mulheres que tiveram uma menarca precoce e uma menopausa tardia, além daquelas que não tiveram filhos. Ainda como fator de risco está o uso prolongado e indiscriminado, em altas doses, dos hormônios estrogênicos para o tratamento da reposição hormonal da menopausa.
O câncer do endométrio vem sempre acompanhado pela hipertensão, diabetes e obesidade, que também são considerados fatores de risco. O diagnóstico precoce pode ser realizado, fazendo-se, anualmente, depois dos 40 anos, uma ultrassonografia pelvica. Após a menopausa, qualquer perda sanguínea pela via vaginal deverá ser investigada.

Sobre as massas anexiais, o professor ressaltou que 10% das mulheres terão abordagem cirúrgica por massa anexial. O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais letal, embora seja menos frequente que os tumores de colo de útero. Essa letalidade deve-se ao fato de que na maioria dos casos o diagnóstico é feito tardiamente, uma vez que o seu crescimento é insidioso e apresenta os sintomas tardiamente. Quando diagnosticado precocemente, a cirurgia geralmente é o único tratamento necessário. A história familiar é o fator de risco mais importante. Mulheres que nunca engravidaram também parecem ter maiores riscos de ter um tumor de ovário. Já a gravidez e a menopausa produzem efeito contrário, reduzindo esse risco.
No entanto, cerca de 90% dos tumores de ovário são esporádicos, não apresentando fatores de risco conhecidos. Os sintomas dessa neoplasia demoram a aparecer e não são específicos, porém os mais comuns são o desconforto na região abdominal inferior e aumento do volume abdominal. O exame clínico, geralmente, falha no diagnóstico de tumores pequenos, porém quando existe suspeita de um câncer ovariano, ultrassonografia pélvica e transvaginal permitem o diagnóstico e avaliação desses tumores.

Resumo: Beatriz Kehde, Adrienne Lucarelli, Lilian Paiva Hsu

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