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Osteoponia e Osteoporose

Investigação e indicação de tratamento da osteopenia e osteoporose


A professora iniciou a aula mostrando que o osso é uma estrutura altamente dinâmica que está em permanente remodelação com 100% de renovação de todo esqueleto a cada 10 anos, através dos processos de reabsorção e formação óssea. Enquanto o processo de reabsorção óssea, realizado pelos osteoclastos, dura em média 15 a 30 dias, a formação óssea pode levar de 4 a 6 meses, necessitando de uma harmonia entre os sistemas.
A osteoporose é definida como falência no processo de renovação e adaptação do esqueleto a estímulos mecânicos habituais. Essa perda óssea pode desencadear fraturas, restrição da mobilidade e deformidades que, por atuarem negativamente nos estímulos mecânicos habituais, agravam ainda mais a osteoporose.

As fraturas mais comuns são:

Vertebral: que é a mais frequente e mais aumenta em números com o passar dos anos.
Antebraço: é uma fratura precoce, contudo estabiliza-se em frequência com o avançar da idade.
Quadril: aumenta muito por volta dos 80 anos com mortalidade por volta de 25% em seis meses.


A professora relatou que o ginecologista foi o especialista que mais solicita densitometria óssea para os pacientes entre todas as especialidades médicas. Então, foram mostradas as indicações para a solicitação de densitometria:

Toda mulher a partir de 65 anos ou homem a partir de 70 anos.
Na presença de fator de risco: mulheres a partir de 40 anos e homens a partir de 50 anos.

São considerados fatores de risco: antecedente de fratura por fragilidade, uso de medicamentos que diminuem a densidade óssea, mulheres que interrompem terapia de reposição hormonal e pessoas em tratamento para osteoporose.
O diagnóstico de osteoporose é dado, quando encontramos um T escore < 2,5 em qualquer local avaliado na densitometria óssea.
Contudo, estudos recentes demonstraram que além da densidade óssea outros fatores como idade, antecedente de fratura, tabagismo, etilismo, baixo índice de massa corpórea, histórico familiar, uso de corticóide e doenças crônicas secundárias influenciam de maneira importante no risco de osteoporose.Com base nesses dados existe o FRAX, um software criado pela OMS que oferece através de cálculos o risco absoluto de fratura em 10 anos em cada individuo.
A investigação laboratorial mínima para pacientes com osteoporose sem fratura deve englobar solicitação de cálcio, calciúria em 24h, creatinina e marcadores de remodelação óssea (principais: CTX no soro ou PINP no soro). Para os pacientes que apresentam fratura devemos complementar ainda com hemograma, eletroforese de proteína, PTH, 25 OH vitamina D, função hepática, TSH, cortisol urinário, gordura nas fezes e anti-tranglutaminase.

Em relação ao tratamento:
Devemos tratar todas as pacientes com osteoporose e com osteopenia caso haja presença de fratura.
As pacientes com osteopenia e sem fratura devem receber instrução para adequar a ingestão de cálcio e fazer complementação de vitamina D, associando atividade física para aumentar a massa magra e afastar situações nocivas ao esqueleto. O uso de fármacos depende da associação com outros fatores de risco, deve-se realizar seguimento em 1 a 3 anos para avaliar a perda óssea.
Em todos os pacientes deve-se adequar a ingesta de cálcio com 1000 a 1200 mg/dia, onde devemos suplementar apenas se dieta dor insuficiente em cálcio e associar com vitamina D3 com 400- 2000 UI/dia caso necessário.
Existem medicações disponíveis no mercado para minimizar a perda óssea são os bisfosfonatos, raloxifeno, calcitonina, denosumab, ranelato de estrôncio e PTH 1-34. Os mais utilizados são os anti-reabsortivos como os bisfosfonatos e raloxifeno (SERM), onde podemos manter o raloxifeno por tempo indeterminado, já com os bisfosfonatos devemos ter cautela devido ao risco aumentado de fraturas atípicas do fêmur, devendo-se em pacientes que estão em uso da medicação por 3 a 5 anos, realizar pausa de 12 meses com acompanhamento.

Resumo: Renato Bauer, Adrienne Lucarelli, Lilian Paiva Hsu

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