Cean | Centro de Estudos "Ayres Netto"

CEAN - Projetos > Destaques
Destaques

< Voltar

Relações Homoafetivas

Como o ginecologista deve abordá-las


Homossexualismo pode ser definido como a incapacidade de sentir atração pelo sexo oposto. O estudo Mosaico de 2008 avaliou a orientação sexual de homens e mulheres e demonstrou que 5% das mulheres se consideram homossexuais e 1,5% bissexuais. Entre os homens temos 8% homossexuais e 3 % bissexuais.
Sendo as relações homoafetivas uma realidade do dia a dia do médico, surge um questionamento: como abordar essas pacientes? Quais são os direitos étnicos sobre a vida reprodutiva dessa paciente?
A Escala de Kinsey tenta descrever o comportamento sexual de uma pessoa ao longo do tempo e em seus episódios num determinado momento. Ela usa uma escala iniciando em 0, com o significado de um comportamento exclusivamente heterossexual, e terminando em 6, para comportamentos exclusivamente homossexuais. A escala é representada abaixo:

0 Exclusivamente heterossexual
1 Predominantemente heterossexual, apenas eventualmente homossexual
2 Predominantemente heterossexual, embora homossexual com frequência
3 Bissexual
4 Predominantemente homossexual, embora heterossexual com frequência
5 Predominantemente homossexual, apenas eventualmente heterossexual
6 Exclusivamente homossexual


Existe muita dúvida em relação a presença de algum fator envolvido na gênese da homossexualidade, várias teorias tentam explicar: gene para predisposição, fatores psico- sociais, envolvendo inúmeras variáveis como educação, iniciação sexual, etc. Sendo mais aceito hoje que seja uma miscelânea desses fatores. A identidade sexual se forma de um processo lento e vai se solidificar somente após o inicio da vida sexual.
É importante lembrar que a identidade sexual e comportamento sexual nem sempre são congruentes, podendo mudar ao longo da vida.
A paciente homossexual gera uma demanda diferente de dúvidas e questionamentos no consultório do ginecologista, e infelizmente 80% dos profissionais desconhecem como lidar com esse público.
A paciente homossexual esta sujeita a risco de doenças crônicas assim como a paciente de orientação heterossexual, podendo ser influenciada por determinados fatores comportamentais. Existe diferença no nível de estresse ao qual estão submetidas devido a questões como homofobia, discriminação, rejeição pela família e amigos, comportamentos autodestrutivos.
Assumir o homossexualismo é considerado importante para a boa saúde mental, com inúmeros pontos positivos para essa mulher: melhora na autoestima, melhor ajuste psicológico, maior satisfação consigo e com a parceira e menos risco de estresse e depressão. Vários estudos americanos mostram que não conseguir assumir uma identidade sexual acarreta grande sofrimento, devemos estar atentos a esses sinais, especialmente em adolescentes, podendo ser causa de suicídio entre essa população.

Como profissionais de saúde devemos estar atentos a pré-julgamentos, comentários negativos e depreciativos. Existem dados demonstrando que 53-72% das pacientes não revelam sua opção sexual na primeira consulta e algumas não consideram os temas da consulta relevantes, tais como anticoncepção e doenças sexualmente transmissíveis. O atendimento deve ser sempre feito em linguagem neutra, abordas seu comportamento sexual e não sua identidade sexual. Infelizmente a tocoginecologia é a terceira categoria médica mais homofobica.
Muitas se sentem desprotegidas pela falta de direito civil, não tendo direito a receber os benefícios advindos do parceiro. Certamente houve muita mudança social e ganhos civis nos últimos anos, mas não o suficiente para mudar o preconceito.
O profissional de saúde deve facilitar que a paciente assuma sua orientação sexual e desenvolver competências especificas, lembrar que problemas de saúde são relacionados à discriminação, homofobia e heterossexismo. Temos o papel de estimular a procura por consulta ginecológica e realização de exames preventivos como rotina com atenção particularizada para doença cervical, sexual, reprodutiva e mental, além de problemas com drogadição. Orientação sexual é um determinante social de saúde.

Ao final tivemos o depoimento da jornalista Marcela Matos que relatou sua experiência pessoal como homoafetiva.

Resumo: Rebeca rodrigues e Adrienne Pratti Lucarelli

< Voltar