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Transtornos mentais comuns em mulheres


O professor Valentim começou a aula explicando que, após a reforma sanitária, ocorreu uma desospitalização da psiquiatria, de forma a tentar modificar o modelo de atenção à saúde mental no Brasil. Entretanto, ele afirmou que esse modelo ainda é insuficiente para atender à demanda existente, e que a especialidade da psiquiatria não consegue abarcar toda a sociedade. Assim, ele aponta para a importância de a classe médica ter conhecimentos de psiquiatria geral, a fim de poder atender e dar vazão às necessidades da população.

Relatou que há diversas formas de tratamento das doenças psiquiátricas, incluindo psicanálise, eletroconvulsoterapia, medicamentos, e até intervenções cirúrgicas, mas que apenas as medicações mais comuns devem ser de uso dos médicos gerais, que devem saber o momento de referenciar seus pacientes ao especialista quando necessário.

Sobre os transtornos mentais mais comuns nas mulheres, o professor citou e discursou um pouco sobre a histeria, a fibromialgia, o transtorno de personalidade borderline, a anorexia/bulimia, o TOC, a ansiedade, a depressão, os transtornos do humor, e a psicose (esquizofrenia).

  • Histeria: surge principalmente por causas psicogênicas, mas geralmente há um misto dessas causas junto com alterações do SNC, como acredita a maioria dos neurologistas e psiquiatras.
  • Fibromialgia: acaba sendo uma patologia mais frequente no consultório dos reumatologistas, mas é preciso uma abordagem em conjunto com a psiquiatria, pois há toda uma orientação sobre como estas pacientes devem ser tratadas.
  • Transtorno de personalidade borderline: quadro não tão raro em mulheres jovens, difícil de lidar. As pacientes apresentam comportamento auto e alo-agressivo. Requer grande investimento na relação médico-paciente, pois o paciente se mostra difícil e pouco colaborativo. Um grande exemplo é a Amy Winehouse.
  • Anorexia/bulimia: há algum tempo, era tratada apenas pelos endocrinologistas, mas quando houve o início da abordagem psiquiátrica em conjunto, os resultados dos tratamentos tornaram-se mais satisfatórios, com melhor evolução dos quadros.
  • TOC (transtorno obsessivo-compulsivo): é criado um ciclo de obsessão > ansiedade > compulsão > alívio. Pode ser encontrado na GO quando pacientes portadoras deste transtorno engravidam, pois elas precisam suspender as medicações durante o 1º trimestre, de forma que pode ser uma doença com a qual o obstetra terá que lidar. Tende a regredir após o parto, e com a reintrodução das medicações.
  • Ansiedade: corresponde a um estado emocional com a qualidade subjetiva do medo ou sensação desagradável, relacionado à antecipação do que está por vir. É um desconforto subjetivo que gera alterações somáticas: palidez, taquicardia, tremores. Um ataque de pânico nada mais é do que um pico de ansiedade em menos de 10 minutos, com intensa sensação de risco de vida. Ambos os quadros são fáceis de tratar se devidamente identificados, pois são utilizados antidepressivos, inicialmente em doses baixas, que vão progressivamente sendo aumentadas, até a ocorrência da remissão completa dos sintomas. O convidado comenta que é possível prevenir ataques de pânico, já que um estudo evidenciou que apenas 750 mg de cafeína (encontrada em 5 xícaras pequenas de café) são capazes de induzir os ataques de pânico em 30% das pessoas que já os presenciaram anteriormente.
  • Depressão: apesar do que se vem sendo divulgado há um tempo, sobre uma epidemia da depressão, o professor acredita que isso não seja verdade, e que apenas esteja ocorrendo uma maior identificação dos casos, daí o aumento da sua incidência e prevalência na população. Entretanto, não deixa de afirmar que é um problema de saúde pública. Nos EUA, a depressão esteve entre as 10 primeiras causas de morte em quase todas as faixas etárias, principalmente entre os adultos jovens. É uma patologia que aparece no consultório de praticamente todos os tipos de médicos, pois os pacientes apresentam sinais e sintomas típicos, como tristeza, desesperança, angústia, pessimismo, incapacidade de sentir prazer e afeto, insônia, hiporexia, perda de peso, culpa e até vontade de morrer para acabar com o próprio sofrimento. A depressão maior não existe, não é uma entidade clínica, é apenas um termo que se consagrou, mas que não difere da depressão pura e simples. É uma doença que traz risco de vida ao paciente, e precisa ser tratada. O professor cita 3 subtipos da depressão que precisam ser identificados, a melancolia, a atípica e a psicótica, comentando um caso em que uma norte-americana afogou os 5 filhos durante um surto de depressão psicótica no estado do Texas.
  • Transtornos do humor: requerem tratamento específico, pois trazem risco à vida dos pacientes e das pessoas que estão ao seu redor, sendo o lítio a melhor droga ainda para as fases de mania e depressão, estabilizando o humor. O lítio também é responsável por redução importante nas taxas de suicídio desses pacientes.
  • Psicose: em relação à psicose, o professor traz um enfoque bastante voltado para a sua associação com uso de drogas psicoativas. Ele informa que há pessoas geneticamente mais suscetíveis a desenvolver uma esquizofrenia após uso de substâncias como a maconha, por exemplo, mas que não se pode prever quem serão essas pessoas, de forma que ele condena o uso da mesma devido à possibilidade de ocorrência dessa patologia. Como consequência do uso das substâncias, além da esquizofrenia, podem ocorrer sequelas cognitivas e alteração da personalidade.
Por último, o professor comenta sobre alguns estudos que vêm sendo publicados associando o uso diário ou até semanal da maconha por adolescentes e mulheres jovens com o aumente em 5 vezes nas taxas de depressão e ansiedade alguns anos depois. O convidado deixa clara sua aversão à droga, e afirma que não há maconha terapêutica, e sim componentes dela que podem ter aplicações medicinais. Compara ao ópio e à morfina, o primeiro uma substância psicoativa, o segundo uma medicação com usos e importância reconhecidos na prática médica diária.


Aula escrita: Luana Sarmento e Adrienne Pratti Lucarelli

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